Thiago Vilasboas

Zé pretinho

Zé pretinho
Toada

Vocês tão vendo lá na beira da estrada
O Zé pretinho caminhando de vagar
As suas pernas já estão enfraquecidas
Perdeu as forcas não pode mais caminhar
As suas vistas já estão embaralhadas
Nem passarinhos não escuta mais cantar
Anda um pouquinho começa sentir canseira
Senta no chão para poder descansar

O Zé pertinho a 30 anos atrás
Foi um herói na fazenda são Simão
Foi capataz nos transporte de boiada
Já foi carreiro foi tropeiro foi peão
Foi violeiro catireiro divertido
Muito querido pelas mocas do lugar
Mais por ser um cabra que gostava de aventura
O Zé pretinho não pensava em casar

Chegou à idade hoje ele ficou sozinho
Perdeu as forcas não tem lar e nem família
Foi despedido da fazenda que morava
Virou andante no meio da rodovia
Quem conheceu o seu passado
Sente pena ver o coitado neste triste abandono
Lutou com vida deu suor pro seu patrão
Agora vive parecendo cão sem dono

Mais deus e bom vai ter recompensa
Das coisas boas que você fez nesta vida
Não desespere tenha fé velho peão
Segura as mãos senhora aparecida
Porque no dia que findar a sua vida
Você não vai mais andar de deu em deu
O seu patrão que mandou você ir embora
Mais seu lugar tá reservado lá no céu

Zé da motoca

Zé da motoca

Todos os trabalhos feito com amor
Qualquer profição tem o seu valor
Tem gente que nas pra ser artista
Tem outros que nasce pra ser doutor
Quando eu vim no mundo, vim com o destino
Gostava de moto já desde menino
O meu pai queria que eu fosse engenheiro
Mas o meu desejo era ser motoqueiro

Nesta profissão, eu dou muita sorte
Tenho saúde, sou rijo e forte
Sentado na moto eu faço transporte
Enfrentando o perigo zombando da morte
Eu levanto cedo não fico parado
Vou fazendo entrega por todo lado
Sou profissional muito habilitado
Nesta profissão eu sou respeitsdo

A minha motoca é bem equipada
O meu capacete é de fibra importada
Ela chega dar 500 cilindrada
Nos lugares onde eu chego, logo sou rodiado
Das mulheres bonita eu sou cobiçado
Eu sou bom de papo eu sou bom camarada
Por isso as morenas por mi são gamadas

Eu sou conhecido em toda cidade
Não tenho proplema com as autoridade
Mas não abaixo se alguém me provoca
O meu apelido é Zé da motoca
Eu enfrento trilhas buraco e pedreira
Atravesso lama subida e ladeira
Já ganhei troféu até no estrangeiro
Nas provas difícil eu cheguei primeiro

 

A volta da viola

A volta da viola
Cururu
La maior

A fama de um violeiro
É nos versos bem trovados
No ponteado da viola
Quando da um repicado
O dono deste estilo
Já passou pra outro lado
Mas no meio sertanejo
Seu nome é sempre lembrado

A viola caipira
Que sempre foi criticada
Nos ambientes de luxo
Viola não era aceitada
Pra ouvir som de viola
Só a noite ou madrugada
Por guitarra americana
Nossa viola era trocada

Com o estilo do pagode
Que agrada toda gente
O saudoso Tião Carreiro
Pois a viola pra frente
Hoje a viola esta no meio
Dos jovens adolescentes
O seu som verde e amarelo
Já esta no outro continente

Meu avô foi folgazão
O meu pai foi catireiro
Eu também não nego a raça
No braço deste pinheiro
Minha viola tá tinindo
De Janeiro a Janeiro
Quem não gosta de viola
Não deve ser brasileiro

Violeiro alegre

Violeiro alegre

Este meu parceiro comigo não nega
Tristeza na vida móis dois não carrega
Si o ambiente esta triste móis chega alegra
E no ponto da viola usando os dedos escorrega

Nossos versos de amor e trovado na rega
Nossa fama já corre pra mais de mil léguas
Ate na internet nosso nome navega
Nois não temos inveja dos nossos colegas

Violeiro invejoso só leva esfrega
Nem fazendo macumba em móis dois não pega
Eles cantam pro rumo quinem cobra cega
Com a voz rachada quinem rincho de égua

Tem muitos violeiros que faz moda brega
Dizendo que e country lá da Noruega
Quando sobe no palco ate vaia já leva
Encosta a viola e o facho sossega

Nosso anjo da guarda de móis não desprega

Viola sentida

Viola sentida

Chora viola sentida nos braços deste caipira
A dor que eu trago no peito não tem remédio que tira
Somente você viola pra acalmar a minha dor
Que ajuda eu esquecer ai ai da traição daquele amor

Chora viola sentida encostada no meu peito
Um caboclo apaixonado não pode cantar direito
Chora comigo viola porque não tem outro jeito
Levanto pensando nela ai ai até na hora que eu deito

Chora viola sentida companheira dos meus pais
Aquela ingrata tirana me deixou não volta mais
Eu não quero mais amar pra não ter desilusão
Prefiro viver sozinho ai ai curtindo a dor da paixão

Chora viola sentida não e pra ganhar dinheiro
E só pra acalmar a dor do peito deste violeiro
Tem um ditado que diz que eu já vi o povo falar
Pinga forte e mulher boa ai ai se encontra em qualquer lugar

Viola de luto

Viola de luto
MODA DE VIOLA

A viola esta de luto com as cordas doloridas
O nosso rei do pagode deu a sua despedida
Deixando um grande vazio passando pra outra
Vida
O sertão inteiro chora nosso violeiro querido

No repique do pagode ele era absoluto
Sua viola era um calmante pro coração dos matutos
Me bate uma dor no peito quando seus versos eu escuto
100 anos não nasce outro para seu substituto

O seu nome e uma pilastra nunca vai ser destruído
Seu repertorio ouro não sai do nosso sentido
Os colegas violeiros cantarão sempre unidos
O som da sua viola ficou em nossos ouvidos

A bandeira sertaneja perdeu o seu colorido
Ate a natureza chora esta perda tão sentida
Descanse em paz TIAO CAREIRO
Seu dever esta cumprido

Seu pagode em Brasília já mais será esquecido
No estado de Goiás meu pagode esta mandando
BAZAR do Valdomiro em Brasília e soberano
No repique da viola balanceia o chão goiano
Vou fazer a retirada despedir dos paulistanos
Adeus que eu já vou embora que Jesus tá me chamando

Vida de caipira

Vida de caipira

Casinha de pau a pique cobertinha de sapé
Feita de taboa bruta piso de chão massapé
Nosso colchão e de palha nossa cama e esteira
Meu amor deita no canto feliz eu deito na beira

Primeiro nos alembramos dos tempos de namorado
Dos nossos encontro escondidos nossos beijos demorados Dormimos abraçadinhos pra acordar de madrugada
Nos acordamos sorrindo no cantar da passaradas

Meu amor levanta cedo pro meu café preparar
Café forte bem docinho com bolinhos de fubá
Depois pego minha enxada pra cuidar da plantação
De lá que sai o sustento do doutor e do cidadão

Sou feliz no meu ranchinho minha vida e uma beleza
Arroz e frango caipira não falta na minha mesa
Nos temos a graça de Deus não precisamos riqueza
Aqui longe da cidade vou curtindo a natureza

 

 

Velhinho mé de abelha

Velhinho mé de abelha
Recortado mineiro

Eu quero eu quero, passar pro lado de lá
O sinal esta fechado, não adianta buziná.
Vou afundar o pé na taboa, vou tirar o pé do breque.
Vou indo pra Piranguinho, pra comer pé de moleque.

Eu tenho 60 anos, mais pra mim não tem pareia.
A bateria do velho, nem com reza não arreia.
Não me troco por machinho, que usa brinco na orelha.
Eu como pé de moleque, lá da barraca vermelha.

Eu não sou um garanhão, mas tenho sangue na veia.
Meu apelido na boate, é veinho mé de abelha.
Além de ser bão de cama, ando com carteira cheia.
Quem tiver mulher bonita, esconde que a coisa é fêia.

Velho cansado

Velho cansado

Esta minha vida já perdeu a graça
Tô ficando velho no meio da raça
Só eu pensar naquilo já canso na hora
Igualzinho cachorro com a língua de fora

Até a pinga boa das noites de frio
Por causa da idade o doutor proibiu
Minha voz bonita do peito sumiu
Hoje eu canto feio que nem o bugiu

Si eu vou no forró, pra dançar um pouco
As mué já fala que o velho tá louco
Pago até cerveja pra gamba mué
Mais sair comigo nenhuma não quer

Alguma me goza me chama gatão
Só pra tira o sarro que negocio chato
Mais eu dou o troco não deixo barato
Sou velho gostoso tá faltando é trato

Que saudade eu tenho dos anos atrais
Tudo que eu fazia, já não faço mais
Bebo até viagra pra tirar o atraso
Eu já tô mijando fara do vaso

Sai com uma dona, bonita de trato
O marido dela me catou no ato
E sai correndo quinem um lagarto
Perdi a cueca no meio do mato

Porteira Velha

Porteira Velha
Valceado

Ao passar pela velha porteira
Senti minha terra mais perto de mim
De emoção eu estava chorando
Porque minha angustia chegava ao fim
Eu confesso que era meu sonho
Rever a fazenda onde eu me criei
Devia chegar o momento
De abraçar de novo meu querido povo

Que um dia deixei cruel me aguardava
Ao ver a fazenda como transformou
Uai tudo ali se mudaram a
Velha colônia deserta ficou
Os amigos que ali permanecem
Transformaram tanto que nem conheci
Eles não me conheceram
Nem perceberam que o tempo passou

Eu envelheci e você minha velha porteira
Também não esta conforme deixei
E os mourões pelo tempo ruído
No solo caído também encontrei
Já não ouço as suas batidas
Seu triste ruído lembrança me traz
Porteira na realidade você é saudade
Do tempo da infância que não volta mais